O cinema popular italiano trabalhava a todo vapor nas décadas de 60 e 70, com seus estúdios despejando filmes de todos os gêneros possíveis. Os produtores não podiam descobrir um novo filão que o trabalhavam a exaustão. Com as obras de espionagem não foi diferente, ainda mais depois do sucesso de 007 Contra o Satânico Dr. No (1962), de Terence Young.
Filmes deste gênero começaram a ser produzidos em grande escala na Europa, e por possuírem características próprias, acabaram recebendo o apelido de eurospy movies. E assim como nos pepla e westerns all’italiana, muitos atores americanos estrelavam nos papéis principais. Sergio Sollima também deu sua contribuição para o gênero com três obras: Agente 3S3: Passaporto per L’inferno (1965), Agente 3S3, Massacro al Sole (1966) e Requiem per un Agente Segreto (1967), todos com trilha sonora de Piero Umiliani
Requiem per un Agente Segreto é um thriller obscuro, cuja trama envolve uma perigosa quadrilha homicida, comandada por um ex-criminoso nazista que atua em Marrocos. Não tendo sucesso em sua missão, que resultou em dois espiões mortos, o FBI junta forças com uma organização norueguesa para tentar desmantelar a organização. O chefe de inteligência americano, cansado de trabalhar com espiões certinhos, contrata o free-lancer John “Bingo” Merrill (Stewart Granger), um sujeito que não possui escrúpulos. Para ele o que importa é concluir a missão, não se preocupando com os meios para isso. Diferente do agente norueguês, chamado Erick Olafsson (Giulio Bosetti), que acaba desaprovando os métodos utilizados por seu novo parceiro.
O filme possui bonitas locações, cenas contendo boas doses de suspense, pequenas e certeiras tiradas cômicas, diálogos nas horas certas e belas mulheres. Estas, utilizadas como objetos; podemos ver um certo toque de misoginia, mas tudo tem um porque. Elas estão lá para mostrar um pouco mais do caráter de nosso herói.
O mestre Sergio Sollima consegue colocar sua identidade no filme, trabalhando com dois protagonistas que possuem virtudes diferentes, mas acabam se respeitando e aprendendo um com o outro. Mas a principal marca é fugir do estereótipo correto e perfeito dos espiões da época. John “Bingo” Merrill está mais para um mercenário, uma pessoa corrupta que não trabalha por um ideal coletivo. Então o filme acaba trabalhando com um tema moral sobre o ser humano, que só pensa em dinheiro e no seu bem estar. Isso já fica bem claro na cena em que Bingo é contratado.
Requiem per un Agente Segreto pode não ser uma obra-prima como La resa dei conti e Faccia a faccia, mas merece ser assistido por apresentar uma visão diferente do mundo da espionagem, além de conter muitas cenas que influenciaram filmes posteriores.
Fonte: www.diadafuria.wordpress.com